Segunda-feira, Junho 17, 2024
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Shein Revela Estratégia de Absorver Custos de ICMS em Compras até US$ 50

O varejo de moda tem sido uma área altamente competitiva e sujeita a rápidas mudanças.

Com a ascensão do comércio eletrônico e a integração global dos mercados, a competição intensificou-se ainda mais. O recente ingresso da gigante do varejo de moda chinesa Shein no mercado brasileiro exemplifica bem essa dinâmica. A empresa não apenas entrou no mercado, mas também se adaptou rapidamente às complexidades fiscais brasileiras ao se integrar ao programa Remessa Conforme e anunciar que arcará com os custos extras do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) em compras de até US$ 50.

O governo federal certificou a Shein como participante do programa de benefício fiscal Remessa Conforme, isentando as compras feitas em seu site e enviadas do exterior ao Brasil do pagamento de imposto de importação, com a contrapartida do recolhimento de impostos estaduais (ICMS com alíquota de 17%). Isso marca uma estratégia agressiva por parte da Shein para ganhar uma posição significativa no mercado brasileiro. Ela ajustou suas plataformas para atender aos requisitos técnicos necessários para a certificação, tornando mais fácil para os consumidores visualizarem os valores do produto e do ICMS durante o checkout.

Essa atitude pró-ativa em arcar com custos adicionais de impostos para pequenas compras é um passo significativo para ganhar a confiança dos consumidores brasileiros. A empresa, ao se comprometer com essa ação, mostra que está aqui para ficar. Isso também serve como um contraponto às críticas de que empresas estrangeiras não pagam impostos suficientes ou não seguem os regulamentos locais. A Shein não apenas aderiu às regras fiscais, mas também foi além, facilitando a vida dos seus consumidores.

O cenário competitivo no setor de varejo já é bastante desafiador, especialmente no segmento de moda, onde a Lojas Renner é uma das líderes. A entrada de um jogador internacional forte e popular como a Shein tende a tornar a concorrência ainda mais acirrada. Um relatório recente do Banco BBI já havia alertado que a entrada da Shein poderia ser uma ameaça às varejistas locais, incluindo a Lojas Renner, e agora com a Shein tomando medidas para arcar com o ICMS, ela está claramente tentando remover barreiras adicionais que possam desencorajar os consumidores brasileiros de comprar seus produtos.

O BBI, ao analisar o preço de aproximadamente 600 produtos, observou que a Shein estava cumprindo com o proposto no programa Remessa Conforme, o que significa que a empresa chinesa estava absorvendo a nova carga tributária, mostrando aderência às regras e diretrizes. Mesmo com a recuperação das ações da Lojas Renner, o BBI mantém uma postura cautelosa, sugerindo que a instabilidade pode continuar a afetar as varejistas brasileiras.

Para o médio e longo prazo, há uma série de incertezas que pairam sobre o mercado de varejo brasileiro. Entre elas, está a capacidade da Shein de manter seu compromisso com as regras do programa Remessa Conforme e possíveis mudanças na estrutura tributária que podem afetar as empresas de comércio eletrônico transfronteiriço. Além disso, o ambiente de consumo de curto prazo, que já é instável devido a fatores econômicos e políticos, provavelmente desempenhará um papel importante nas tendências do setor.

Não se pode negar que a entrada da Shein no mercado brasileiro já está repercutindo nas estratégias de outros varejistas. Empresas como a Lojas Renner estão sob pressão para acompanhar a agilidade e o alcance global da Shein. Os varejistas locais precisam reavaliar suas estratégias de marketing, precificação e, o mais importante, suas operações online para competir com eficácia. A decisão da Shein de arcar com o ICMS nas compras até US$ 50 é uma jogada tática que provavelmente forçará outros varejistas a seguirem o exemplo ou encontrarem formas inovadoras de atrair e reter clientes.

E enquanto a Shein está fazendo movimentos agressivos para se estabelecer no Brasil, ela também está enfrentando seus próprios desafios. As complexidades tributárias e regulatórias do Brasil são notoriamente difíceis de navegar, mesmo para empresas locais. A Shein está mostrando que está disposta a adaptar suas estratégias para atender às necessidades do mercado brasileiro, mas ainda há um longo caminho a percorrer. Ela deve continuar a monitorar de perto a reação dos consumidores, bem como os impactos regulatórios e fiscais de suas operações, para garantir que sua entrada no mercado seja bem-sucedida a longo prazo.

Em resumo, a estratégia da Shein de se integrar ao programa Remessa Conforme e subsidiar os custos de ICMS nas compras até US$ 50 é um marco na crescente influência das empresas de comércio eletrônico internacionais no mercado brasileiro. Além de intensificar a concorrência, esses movimentos também podem atuar como catalisadores para a transformação mais ampla do setor de varejo brasileiro, empurrando as empresas locais a inovar mais rapidamente e adaptar suas operações para atender às demandas de um mercado globalizado e digitalmente conectado.

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