Quinta-feira, Abril 25, 2024
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FAZENDOLA II

Textos da semana.

às 10:45

Foto: Reprodução

Eles acordam às 4h. Ele põe o chapéu, que fica no encosto da cama, e vai botar água, puxada do poço cacimbão, e milho, da sua produção, pras galinhas, pros capotes, pros patos e pros porcos. Ela vai ao fogareiro, passar café, e fazer cuscuz, e fritar ovos caipiras. Quando ele retorna, a mesa já está posta, com tudo fresquinho. Bota o chapéu sobre a estante da televisão, ao lado da foto que traz toda família, senta à mesa, faz suas orações, agradecendo o pão de cada dia, e quebra o jejum. Senta em sua cadeira de balanço e liga a televisão para assistir o jornal, mas acaba cochilando e roncando. Se espanta, levanta de supetão, pega o chapéu e sai para soltar as criações do chiqueiro. De lá, aproveita para passar pela roça para dar uma olhada na cerca e para ver se não tem nenhum dentro para comer os legumes. Algumas cabras e porcas andam com cangas para não entrarem nas roças. Volta, passa uma água fria da bacia, que fica sobre o jirau, nos braços e no rosto; tira o chapéu, bota sobre a estante e vai direto para a geladeira para beber uma água e deitar-se em sua rede vermelha que fica, eternamente, estendida na varanda. Em volta, da mesma, uma meia dúzia de tamboretes e cadeiras para receber os amigos, os vizinhos e os parentes. Ali, ele passa horas e horas conversando com suas visitas. A zoada do armador da rede, rangendo e rangindo sempre anuncia e denuncia sua chegada à rede. Quando não tem ninguém para prosear, põe o chapéu, bota a peixeira à cintura, entre o cinturão e calça, pega o facão e uma foice e vai dar uma olhada na plantação de macaxeira. Às vezes, sela o cavalo e sai dando uma volta pelo pasto para se ver se encontra alguma porca, criação ou vaca parida. Às vezes, vai à casa de algum irmão, compadre ou vizinho. Meio-dia, às 11h, almoça, senta na sua cadeira de balanço de espaguete, liga a televisão, cochila e ronca que o palito de dente que carrega no canto da boca, por hábito, cai. Seu cachorro, “Ligeiro”, sempre, deita-se, ao pé da cadeira, estica o queixo sobre o cimento, frio e vermelho e dorme. Ela recolhe a mesa e põe na pia para lavar… Banha, bota seu vestidinho amassado e lavado, estende a toalha no varal do quintal, senta em sua cadeira em frente à televisão e vai tecendo o seu crochê. Às 17h, começa a botar as criações pro chiqueiro e gado pro curral… Ela põe a mesa pro jantar e traz a comida para ele que já sentado em sua cadeira cativa, começa a se servir. Ele agradece a Deus pelo pão de cada dia. Ela senta e começam a refeição, depois de mais um dia de labuta…

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