Segunda-feira, Julho 22, 2024

DOMINGOS

às 13:06

Foto: Reprodução / Mercado de União

Acordo às quatro da manhã, passo uma água na moto, boto milho e água pros patos, boto ração para Cacau e vou para o banho, tomar uma ducha gelada. Tomo dois ou três dedos de café preto com cinco ou seis petas. Ponho uma roupa, tênis, boné, pego a mochila e a chave da moto. Vou ao mercado pelo Rodoanel. Um vento frio, um silêncio saboroso e sinto uma felicidade abarcar meu ser e me deixar leve. Aproveito e vou conversando com Deus. Sempre peço, humildade, simplicidade e mansidão. Peço sempre que afaste de mim, fama, sucesso e poder. Que eu seja um ser insignificante. Uma espécie de inseto exótico. Que me ponha na condição de espectador da vida. Gosto observar as pessoas sem que elas percebam. Sigo desfrutando da paz e da mata que me cercam. Sigo leve. Minha alma parece não caber em mim. Sinto-me um super-homem. Espiritualmente falando. Passo pelo Chaparral e chegou ao Balão. Chegando ao mercado, ponho a moto à sombra do oiti. Compro, primeiro, as carnes e vou para via cozinha comprar as frutas, verduras e leguminosas. Percebo que o tratamento que recebemos no mercado público é, totalmente, diferente dos supermercados. Nestes as pessoas são mecânicos, programadas e mornas, naqueles são seres humanos humanos. Sorriem, interagem, oferecem… há uma disposição em atender ao cliente. Gosto deste intercâmbio humano. Você vai passando pelas bancas e senhorinhas vão oferecendo seus produtos. Não tenho pressa. Faço tudo com calma. Às vezes, vou escolhendo e fico ouvindo, uma conversa que vem da banca ao lado, onde duas proprietárias de bancas vão dando notícia dos últimos acontecimentos ocorridos à noite anterior. Uma espécie de rádio calçada. E o palavreado é totalmente tupiniquim. Se você quiser alguma coisa que não tenha na banca, elas pegam emprestada em outra. Um por todos, todos por um. Não há ganância. É uma espécie de grande família, onde transborda a cortesia. Pago, agradeço pelo atendimento e sigo para a moto. Ponho as compras no guidom e sento um pouco, à calçada, para desfrutar da sombra suave do oiti e olhar o movimento das pessoas que vem e vão em meio a praça. Queria comer um picolé de pão com leite, ou um didim de abacate ou tomar um caldo de cana, estupidamente doce, com pão massa-grossa, bem quentinho e crocante, mas não tem. Pego a avenida Filinto Rego, Balão Curt Som, bairro Chaparral -, para onde a cidade cresce -, Rodoanel e chego ao Residencial Santa Helena. Paro a moto, buzino e a Joyce vem, com o Bento, pegar as compras. Meus braços estão marcados do peso das sacolas…

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