Uma infecção extremamente rara e grave tirou a vida de Lillian Smart, de apenas 8 anos, na Louisiana, nos Estados Unidos. A menina morreu no último sábado (22), um dia depois de completar aniversário, após contrair a Naegleria fowleri, conhecida popularmente como “ameba comedora de cérebro”.
Lillian estava internada desde o dia 15 de agosto. Quatro dias depois, em 19 de agosto, o Departamento de Saúde da Louisiana confirmou que um morador do estado havia sido infectado pelo microrganismo.
Segundo as autoridades, a exposição provavelmente aconteceu durante um banho no Lago Claiborne, no condado de Claiborne. Posteriormente, familiares e amigos identificaram Lillian como a pessoa infectada.
A morte foi anunciada pela família nas redes sociais. Em uma publicação, os familiares afirmaram que as lesões provocadas pela infecção no cérebro eram graves demais para que a criança pudesse se recuperar.
Como ocorre a infecção?
A Naegleria fowleri é uma ameba microscópica encontrada principalmente em ambientes de água doce e quente, como lagos, rios e lagoas.
A infecção ocorre quando a água contaminada entra pelo nariz. A partir daí, o microrganismo pode chegar ao cérebro e provocar a meningoencefalite amebiana primária (MAP), uma inflamação grave que afeta o cérebro e as meninges.
Apesar de ser considerada uma infecção extremamente rara, a doença apresenta alta taxa de mortalidade.
A contaminação não ocorre simplesmente ao beber ou engolir água contaminada. Também não existe transmissão da doença de uma pessoa para outra.
Onde a ameba pode ser encontrada?
De acordo com autoridades de saúde dos Estados Unidos, a Naegleria fowleri pode estar presente em águas doces e aquecidas, principalmente durante os meses mais quentes do ano.
O microrganismo não é encontrado em água salgada e, em geral, não representa risco em piscinas que recebem tratamento e cloração adequados.
Mesmo sendo uma doença grave, os casos são muito incomuns. Dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) apontam que cerca de 180 infecções foram identificadas no país desde 1937.
Primeiro caso confirmado no Brasil ocorreu no Ceará
No Brasil, o primeiro caso confirmado por exames laboratoriais ocorreu no Ceará, em 2024. Uma criança de 1 ano e 3 meses, moradora de Caucaia, morreu em setembro daquele ano após desenvolver meningoencefalite amebiana primária.
Exames confirmaram a presença da Naegleria fowleri. Segundo a Secretaria da Saúde do Ceará, a investigação apontou que a criança provavelmente teve contato com a ameba na água de um açude que abastecia o assentamento onde a família vivia.
Após a confirmação, as autoridades recomendaram a desinfecção do reservatório.
Risco é considerado muito baixo
Embora a infecção possa ser fatal, especialistas e autoridades de saúde ressaltam que a ocorrência em seres humanos é extremamente rara.
O principal risco está relacionado à entrada de água contaminada pelo nariz, especialmente em ambientes de água doce e quente. A doença não é transmitida pelo contato entre pessoas.
Por isso, em locais onde houver suspeita da presença da ameba, uma das principais medidas preventivas é evitar que água potencialmente contaminada entre pelo nariz durante atividades de lazer.


