Quinta-feira, Julho 25, 2024
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Energia solar pode gerar 80% da economia mesmo com taxação do sol

Legenda: Isenção da tarifa de utilização do sistema de distribuição (TUSD) acabou no último dia 6 de janeiro. Foto: Shutterstock

Investir em geração própria de energia solar continua valendo a pena financeiramente para os consumidores mesmo após a cobrança da taxa de transmissão ou “taxação do sol”. A perspectiva foi defendida por empresários e representantes do setor, que apontam uma economia mínima de 80% na conta luz. 

Segundo Hanter Pessoa, diretor de Geração Distribuída do Sindienergia-CE (Sindicato das Indústrias de Energia e de Serviços do Setor Elétrico do Estado do Ceará), a taxa representaria apenas 5% da tarifa total da conta de energia. Além disso, para os clientes que consomem e geram energia, esse valor poderia ser ainda menor, representando um aumento pequeno ante o que se registrava antes da aprovação do projeto. 

A isenção da tarifa de utilização do sistema de distribuição (TUSD) deixou de valer no último dia 6 de janeiro, gerando uma tarifa extra aos projetos de geração de energia solar que será implementada de forma gradativa até 2028. 

Contudo, Hanter ainda explicou que os consumidores gerando a própria energia também deverão sentir um reforço na economia a partir do momento do retorno das bandeiras tarifárias. 

“A gente percebe o receio no mercado com projetos de energia solar, com algumas pessoas achando que não vale muito a pena, mas ainda vale. A diferença é altíssima, em torno de 90%, com no mínimo 80% de economia em relação à conta da concessionária. A taxa vai ser de cerca de 5%, mas se ele gera e consome, ele nem paga. A economia para alguns clientes ainda é muito próxima do modelo antigo sem a taxação do sol”, disse. 

“O custo é referente à energia que não se usa na hora, mas na análise geral, a economia ainda é muito alta. Mas quando a bandeira tarifária voltar, a pessoa que gera energia ela não vai pagar esse aumento, então a pessoa estaria imune. Realmente, o mercado mudou e muita gente esqueceu que tem essa possibilidade”, completou.

Outro fator que pode ter afastado os consumidores é a alta dos produtos importados por conta dos choques nas cadeias produtivas geradas pela pandemia e guerra na Ucrânia. Contudo, de acordo com Jonas Becker, coordenador da Absolar (Associação Brasileira de Energia Solar) no Ceará, os custos dos equipamentos já estão apresentando tendência de queda após algumas variações de preço no frete marítimo. 

“No último ano, tivemos um reajuste significativo pelo aumento do frete por conta da pandemia, guerra, e o frete marítimo foi o que mais aumentou. Isso encareceu o equipamento, mas o valor vem diminuindo a partir da regularização. Então, o preço dos equipamentos, em previsão a partir do segundo trimestre, devem ficar mais baratos, até porque o dólar segue bem estável”, disse o coordenador da Absolar.

A perspectiva foi confirmada por Hanter Pessoas, que apontou uma possível oportunidade de economia relacionada aos custos para os clientes buscando contratar projetos ainda no começo deste ano. Segundo o diretor do Sindienergia, nesse momento, por conta das compras feitas ainda no ano passado pelas empresas, os projetos podem ser fechados com 5% de desconto em relação aos últimos meses do ano passado. 

“Hoje, para quem quer fazer energia solar agora está mais em conta do que em dezembro. Foi importado muito material em dezembro, e apesar de se vender muito, os estoques não baixaram acima do nível que se esperava, então os preços estão excelentes no momento. A tendência é diminuir essa vantagem até porque o mercado deu uma desacelerada. Demanda e oferta é demanda de preço”, completou. 

“Alguns clientes que não fizeram projetos em outubro e dezembro, estão se interessando porque os preços estão 5% mais baratos e competitivos em relação até ao fim do ano passado”, disse o diretor de geração.

Mesmo com o cenário positivo de oportunidades para os clientes, Jonas Becker relatou que o setor ainda vive o desafio, como outros segmentos da economia, de lidar com os juros altos. Esse cenário tem ajudado a frear a taxa de evolução do mercado e pode ser um bloqueio a mais para novos investidores e empreendedores.  

“O maior problema do setor é o juro alto, porque isso afeta tudo, são produtos de alto valor agregado. O setor ele está passando por uma readequação, ele exige uma engenharia regulatória muito grande e isso exige mão de obra e preparo, e com o setor se tornando mais complexo ele vai se tornando mais seletivo, fica mais difícil para os aventureiros entrarem. Ter esse amadurecimento é natural, então muita gente entra e muita gente sai”, explicou.

Mas isso não deverá impedir o setor de geração de energia solar de ter resultados positivos no ano. Hanter Pessoa projetou uma estabilidade em relação ao desempenho registrado em 2022. No entanto, essa projeção não representaria um dado negativo, considerando que houve um crescimento de 100% entre 2021 e 2022. 

“Não prevemos um crescimento até porque o ano passado tivemos um crescimento muito grande, de 100%, então achamos que teremos um resultado muito próximo do ano passado. A gente enxerga que não devemos crescer, mas devemos manter o resultado do ano passado, que foi um ano muito forte”, disse.

“Tanto que estamos vendo novas equipes de distribuição entrando no mercado, até por conta da demanda por essa questão ambiental. A gente sabe que as pessoas estão atentas às contas do começo do ano, mas estamos prevendo um certo crescimento na busca pela geração de energia”, finalizou.

Fonte: Diário do Nordeste

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