O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta segunda-feira (5), que está confiante na possibilidade de reverter o resultado do primeiro turno e vencer o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial. O petista terminou a primeira etapa com 45% dos votos, enquanto o adversário alcançou 47%.
A declaração ocorreu após uma reunião com governadores, senadores, deputados e outras lideranças de partidos aliados. Ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e da senadora eleita Marília Arraes (PDT-PE), Lula avaliou o resultado das urnas e defendeu uma mudança de estratégia para as próximas semanas.
“Eu estou convencido que não há nenhuma razão para que a gente não seja eleito presidente da República no segundo turno”, afirmou.
Lula cita STF e fala em crise de confiança
Durante o encontro, Lula também comentou a avaliação de que sua campanha foi afetada por uma crise de confiança envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente mencionou as recentes denúncias envolvendo integrantes da Corte e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
“Estamos carregando nas costas uma coisa muito grave, que é a promiscuidade que ficou estabelecida na Suprema Corte depois dessas denúncias”, declarou, sendo aplaudido pelos participantes.
O presidente também tentou reposicionar o discurso de campanha e afirmou ser o único candidato “antissistema” da disputa.
“Só tem um candidato antissistema: eu”, disse.
Segurança pública deve ganhar espaço na campanha
Lula indicou ainda que a segurança pública deverá ocupar um espaço maior no discurso da campanha durante o segundo turno. O presidente defendeu uma ampliação da atuação do governo federal no enfrentamento ao crime organizado, área que atualmente tem forte participação dos estados.
Segundo Lula, o crescimento e a sofisticação das organizações criminosas exigem uma atuação integrada entre diferentes níveis de governo.
“A verdade é que ficou claro para todo mundo hoje que o estado sozinho não dá conta da segurança pública”, afirmou.
O presidente também defendeu que o crime organizado passou a atuar de maneira mais estruturada e em diferentes setores da sociedade.
Abstenção também preocupa campanha
Outro ponto discutido por Lula foi a elevada abstenção registrada no primeiro turno. Segundo dados da Justiça Eleitoral mencionados pelo presidente, cerca de 33 milhões de eleitores não compareceram às urnas.
Lula afirmou que a campanha precisa entender as razões que levaram esse grupo a não votar e trabalhar para estimular a participação no segundo turno.
“São 30 milhões de pessoas que não foram votar, o que aconteceu com essas pessoas?”, questionou.
Na avaliação do presidente, será necessário recuperar o interesse da população pelo processo eleitoral e apresentar aos eleitores os argumentos defendidos pela campanha.
PT terá 20 dias para reorganizar estratégia
Ao final da reunião, Lula afirmou que o PT e seus aliados terão cerca de 20 dias para reorganizar a campanha e tentar modificar o cenário apresentado no primeiro turno.
“Em 20 dias temos que fazer mais rápido e mais bem feito. Esse é o desafio”, declarou.
O segundo turno da eleição presidencial está marcado para 25 de outubro.



