Teresina volta a ficar sem ônibus e motoristas e cobradores reclamam: “Trabalham três dias para ganhar uma diária”

FOTOS: Ricardo Morais / OitoMeia

A manhã desta quinta-feira (21/10) deixa os teresinenses mais uma vez sem transporte público: os motoristas e cobradores de ônibus anunciaram uma paralisação com concentração no Centro de Teresina.

Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Rodoviários do Piauí (Sintetro), Ajuri Dias, a categoria paralisa para chamar a atenção para uma cobrança: a assinatura da convenção coletiva de trabalho.

Ele informou ao OitoMeia que ainda há motoristas e cobradores que estão com salários atrasados e para completar os pagamentos estão acontecendo através de diária, o que representa uma perda muito grande para o que recebia a classe.

“Infelizmente o Setut (Sindicato das Empresas de Transporte Urbano) não quer fazer acordo com a gente. Não vamos aceitar esta forma de trabalho. Muitos aqui têm a carteira assinada como mensalista e recebe por diária. Isso tem que acabar. Queremos a assinatura da coletiva de trabalho”, explicou Ajuri.

O presidente do sindicato explicou que esta situação está durando desde o ano passado, ainda quando do surgimento da pandemia, que deixou motoristas e trabalhadores por vários dias sem trabalhar. Na prática, informou Ajuri, alguns profissionais têm trabalhado três dias para ganhar uma diária.

“Apenas a convenção coletiva garante o salário de todos nós. E aí estamos com esse impasse já há muito tempo. De nada adianta a Prefeitura de Teresina (PMT) fazer acordo com o Setut, se este não faz acordo com a classe.  Mesmo a PMT repassando recursos para o Setut, eles não assinam a coletiva. É isso que reivindicamos. A data base é de janeiro. Estamos chegando há dois anos sem convenção”, pontuou.

A paralisação desta quinta-feira inicia na Praça do Fripisa e vai até a Praça da Bandeira, passando por alguns dos trechos mais movimentados do Centro de Teresina. A previsão é a de que o protesto dure até o meio dia, mas não está descartada a possibilidade de novas e pontuais paralisações. A categoria reivindica que o Setut não tem atendido as reivindicações, mesmo tendo feito acordo e recebido repasses da PMT.

FOTOS: Ricardo Morais / OitoMeia

SALÁRIOS ATRASADOS

Ajuri informou ao OitoMeia que ainda existem três empresas que ainda estão com salários atrasados. São do Consórcio THE, Transfacil e Emtracol. Em alguns casos, garante, de sete a oito meses. E explica que não há uma busca do empresariado para resolver a situação destes profissionais, mesmo estando alguns deles em bastante dificuldades financeiras já há um bom tempo. “A gente pede a compreensão das pessoas. Mas estamos passando por muitos problemas. O salário, que antes era de 2.029, com ticket e tudo, deixaram de pagar. Não abrimos mais da assinatura da coletiva”.

FOTOS: Ricardo Morais / OitoMeia

SETUT ENCAMINHA ESCLARECIMENTO

O Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina (SETUT) informa que referente às questões trabalhistas com os motoristas e cobradores de ônibus de Teresina, as empresas já cumpriram o o pagamento da folha da categoria dentro do prazo de 72 horas. A frota da ordem de serviço acordada com o ente municipal tem sido cumprida e foi toda colocada à disposição dos passageiros do transporte coletivo de Teresina.

A entidade reforça que não compactua e nem tem participação na paralisação dos trabalhadores. Para o Setut o Sindicato dos trabalhadores tem utilizado a não assinatura da Convenção Coletiva como pretexto e motivação para a promoção de paralisações. Importante ressaltar que a data base de assinatura de uma eventual convenção coletiva está prevista somente para janeiro de 2022. A questão trabalhista dos anos anteriores foi judicializada e os empresários estão protegidos por decisão do TST.

O Setut tem cumprido o seu papel com a sociedade e reforçado a prestação de serviços com qualidade, eficiência e agilidade no atendimento aos passageiros da cidade.

FONTE: OITOMEIA