Setut nega paralisação total do transporte coletivo de Teresina e divulga carta aberta

Setut nega paralisação total do transporte coletivo de Teresina (Foto: reprodução/Google Maps)

O Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina ( SETUT) divulgou nota nesta quinta-feira (29) informando que não haverá paralisação total dos ônibus no mês de agosto.

A entidade confirma a existência de diversos problemas no sistema de transporte coletivo, mas que estaria buscando soluções.

“O setor enfrenta dificuldades para a resolução de problemas do sistema de transporte público e segue buscando as melhores alternativas para aplicação de soluções”, diz em nota.


O Setut pontuou ainda que está necessitando do repasse de subsídios pela Prefeitura de Teresina para manutenção dos serviços. “O Setut reitera ainda que tem buscado, sistematicamente, o diálogo com a Prefeitura de Teresina e necessita do repasse de subsídios da gestão municipal, para a manutenção do setor em funcionamento efetivo”.


Veja a nota na íntegra:


O Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina ( SETUT) esclarece que não informou a paralisação total dos ônibus no mês de agosto. O setor enfrenta dificuldades para a resolução de problemas do sistema de transporte público e segue buscando as melhores alternativas para aplicação de soluções.


O Setut reitera ainda que tem buscado, sistematicamente, o diálogo com a Prefeitura de Teresina e necessita do repasse de subsídios da gestão municipal, para a manutenção do
setor em funcionamento efetivo.


Não existe uma “farra do dinheiro público”,diz sindicato


Em longo “desabafo”, o sindicato ainda divulgou carta aberta em defesa do transporte público de Teresina, onde ressaltou que há inverdades sendo compartilhadas sobre o sistema quanto a uma suposta “farra do dinheiro público”.


Veja a carta aberta:


Muitas inverdades vêm sendo contadas a respeito do transporte público de Teresina. Por anos, o sistema funcionou e atendeu a contento a população teresinense, mas não havia como prever uma pandemia mundial, problema, inclusive, que afetou o sistema de transporte em todo o mundo. É importante ressaltar que o repasse feito pela Prefeitura Municipal de Teresina é aplicado no próprio sistema para custear as gratuidades e a redução da tarifa do passe estudantil.

Ao todo, oito categorias de passageiros têm desconto na passagem ou gratuidade total: estudantes, idosos acima de 65 anos, pessoas com deficiência, policiais militares, policiais
civis, agentes penitenciários, oficiais de justiça e os passageiros da integração. As empresas de ônibus precisam do repasse feito pelo poder público, previsto em contrato,
para manter o sistema. A folha de pagamento de pessoal e o combustível são os maiores custos, além da manutenção dos carros, impostos, investimentos, dentre outras despesas.


Não existe uma “farra do dinheiro público”, como vem sendo falsamente exposto por representantes da Prefeitura de Teresina. O que existe é falta de responsabilidade e de
empatia para com os usuários do transporte coletivo da cidade, que estão na ponta do problema e sofrem diariamente com o descaso da gestão municipal, e às empresas do setor, que precisam manter o serviço funcionando para a população teresinense sem
nenhum amparo do poder público.


Além disso, a integração gerou um impacto econômico no sistema, pois não houve racionalização imediata da operação para amenizar a perda de receita. O sistema de transporte público continuou funcionando e o nosso único pedido foi que a Prefeitura realizasse os pagamentos mensais em dia, de acordo como prevê o contrato. O descaso é mais flagrante quando percebemos que nos últimos seis meses não existiu nenhuma tentativa de diálogo da Prefeitura de Teresina com os representantes das empresas de ônibus para buscar possíveis soluções para a questão, mas apenas a disseminação de inverdades e ataques. Os representantes das empresas por diversas vezes tentaram criar um canal de diálogo para contribuir com a construção de alternativas para enfrentamento da crise do sistema de transporte. Sem êxito, até então.


Atualmente, quem está pagando para alguém usufruir GRATUITAMENTE do transporte público não é o poder público; quem está pagando é o usuário que paga passagem inteira ou o empresário que compra vale transporte para o seu colaborador. De 2010 a 2020, o número de passageiros reduziu de 7.391.722 para 1.342.419. A situação foi agravada no último ano, inviabilizando que o sistema se mantenha apenas com a bilhetagem das catracas. Além disso, a inserção do transporte clandestino, com o aval do ente público, fez com que os usuários pagantes reduzissem ainda mais.


Desde 2010, os vales transporte são adquiridos para o cartão eletrônico. A compra dos vales é feita pelas empresas através da internet. Os valores são convertidos em créditos
para os cartões, que são deduzidos no Sistema Bilhetagem Eletrônica apenas quando o usuário o utiliza. Da mesma forma acontece com os entes públicos: a compra de bilhetes
para os servidores difere do subsídio que deve ser repassado pela Prefeitura de Teresina. Os subsídios são valores repassados ao Fundo Municipal de Transporte (Fumtran), uma conta criada para garantir a transparência dos valores voltados ao sistema.


Dito isto, ressaltamos que não somos contra as gratuidades nem contra a integração. Somos a favor de um transporte público democrático, de qualidade, que atenda as necessidades dos usuários que tanto precisam e só tem esse meio para se locomover. Importante destacar que o nível de qualidade dos serviços DEVE SER DEFINIDO E CONTROLADO PELO PODER PÚBLICO. Para isso, basta autorizar a utilização da tarifa técnica calculada ou, caso esse valor seja alto para os padrões econômicos da cidade, BANCAR o valor que estiver faltando para a devida cobertura dos custos do sistema.


Por fim, ressaltamos que somos a favor de que o sistema seja reestudado, para assim poder atender aos anseios da população, suas necessidades e planejamentos. Prezamos por um serviço de qualidade para todos os usuários, e continuaremos lutando por melhorias, como também cobrando os repasses do poder público, obrigatórios contratualmente, para que o para que o sistema siga funcionando.

FONTE: PORTALAZ